Enxertos da memória contemporânea por Carla Rocha

 

A informação flui cada dia com mais rapidez, proporcionando ao artista a possibilidade de uma visão de toda produção atual na arte. Essa noção de totalidade explica a crescente absorção de influências externas ao meio físico e cultural em que se insere o sujeito, como conseqüência natural da abolição de fronteiras no tempo e no espaço.

Esse volume de informação também pode, por outro lado, proporcionar uma visão fragmentada, superficial ou não da produção artística atual.(como?... uma visão complexa com fragmentos?! ) O que vai determinar a qualidade e a representatividade das informações e influências é a capacidade de seleção e interpretação destas pelo artista, ou seja sintetizar sua experiência objetivamente para sua pesquisa ( grau de coerência e capacidade de contextualizar seu trabalho ).

 

Na medida em que uma obra está na extensão do que ela reestrutura do universo de compreensão do meio e do mundo e, refletindo-se sobre seus efeitos, chega-se a conclusão que as produções atuais tendem a se universalizar cada vez mais, muitas vezes criando aspectos em comum, uniformizando-se, nem por isso perdendo a qualidade ou sua força expressiva.

 

A experiência do artista enquanto sujeito não se separa da expriência da coletividade, mas se faz por meio dela sendo que o sujeito se afirma e se legitima pelo outro. A necessidade de legitimação da autoria na obra aparece como um nó no fio das relações, estrangulando o fluxo das informações e insubordinando-se a ele.

 

Atualmente a arte mostra inventividade ao reestruturar nosso universo de compreensão utilizando-se para tal de releituras de obras já existentes (anteriores). Numa releitura há a reconstituição no tempo e no espaço dos fragmentos da memória da obra. Ao selecionar esses fragmentos para compor uma outra realidade o artista revê o que , pressupostamente era conhecido e lhe dá uma nova organização, criando uma trajetória dentro de sua produção, tragetória que não faz analogia a estilo, visto que uma das características atuais na produção artística é a liberdade de um artista assumir diferentes narrativas, técnicas e linguagens como forma de expressão.

Até por que, atualmente, estilo é algo que pode-se confundir e assemelhar-se a fórmulas prontas e acabadas, limitando a visão do artista que se sufoca com a obcessão de ter "cravado" na obra a sua assinatura, impedindo-o de pesquisar possibilidades de melhor compreender o seu contexto e, consequentemente de melhor expressar-se.

 

Lidando com os fragmentos da memória da obra é feita uma espécie de jogo- desse jogo surgirão sínteses e outras formas de configuração dos dados, sobre os quais trabalhará, muitas vezes em sincronia (sincronicidade), a coletividade. Nesse processo o artista se obriga a criar procedimentos ( métodos de trabalho) que se tornam estratégias de legitimação da obra perante o sistema da arte. Na verdade a obra ganha em todos os aspectos, pois se torna uma criação coletiva, com uma assinatura coletiva porque tem origem na memória do coletivo e se legitima pelo outro. Como enxertos da memória contemporânea, equivalendo a um trabalho coletivo onde a origem da idéia se perde no processo de realização da obra. Dessa forma desierarquisando o domínio do discurso artístico e desmistificando o artista.(mito do artista como ser todo poderoso, gênio, criatividade como dom exclusivo ao artista... Tais posturas seriam o desejo e a necessidade do homem de explicar o inexplicável? Desejo do homem de superar a sua própra impotência tornando-se um ser excepcional? Criar um ser em quem espelhar-se?...)

 

Não é que essa produção caia em resquícios evidentes de obras anteriores, como se reclamassem apenas o reconhecimento de uma genealogia, ou seja, reclamassem uma origem datada, uma linnhagem, o que remeteria novamente a idéia de estilo. A produção atual faz e usa referências de obras anteriores.

Não se trata de plágio: em uma releitura não existe mais o contexto inicial da obra . Não seria oportuno discutir eticamente a produção artística atualmente pois, acredito que o sistema da arte e a própria sociedade tratam de reconhecer (ou taxar, por vezes equivocadamente) o que poderia ser plágio ou cópia.

 

De certo, o que restará após a legitimação da obra, é novamente sua memória que estará sempre sendo deslocada pelas circunstâncias e que , com o tempo a sociedade trata de reduzir a fragmentos que virarão sucata para outras releituras, em fim, para outras obras.

 

 

 

Trabalho em grupo, assinatura coletiva.

Apropriacões

Plágio: assinar ou apresentar como seu (trabalho de outro)

 

Armazenamento da memória.

Mito do artista, desejo..., ciúme...

A promiscuidade da imagem videográfica

Pronóicos